A Palavra de Deus na Bíblia de Constantino

Para a quase totalidade dos cristãos, a Bíblia é um livro que foi integralmente escrito sob a inspiração divina, ou seja, escrito por homens, mas sob ordem e supervisão direta do próprio Deus. Assim  tudo o que ali está escrito deve ser aceito como verdade absoluta, que sob nenhuma hipótese pode ser questionado.

Ocorre, por outro lado, que essas mesmas pessoas, pelo menos em sua grande maioria, nada sabem sobre a origem e história da Bíblia ou, ainda pior, nada ou pouco conhecem sobre a própria Bíblia, seja por falta de disposição para leitura e estudo, seja em função da complexidade relativa dos textos.

Suas opiniões e convicções, portando, não foram formadas a partir da leitura e estudo dos textos bíblicos, mas adquiridas mediante o ensino de terceiros, conforme as opiniões, convicções e interesses destes.

Ora, sendo o conhecimento posterior ao estudo e à reflexão, se queremos conhecer determinado tema, devemos empreender estudos aprofundados sobre todas as questões que afetam, direta ou indiretamente tal tema. Entre todas as questões relacionadas a qualquer tema, uma das que mais importa e sobre a qual devemos ter maior conhecimento é sua origem, ou seja, de onde e como veio a existir. Sobre isso acho que todos concordam.

Sendo assim, a primeira pergunta a se fazer é: como foi formada a Bíbllia atual e qual a verdadeira origem de seus textos? A resposta conclusiva é complexa e requer estudos aprofundados. Ainda assim é possível formular um raciocínio preliminar confiável baseado nas informações históricas disponíveis.

Por volta do IV Século da Era Cristã, o imperador romano Constatino, "recém-convertido" ao cristianismo, visando preservar e fortalecer o seu império já em decadência, resolve comprar o movimento cristão primitivo, que ja era uma grupo relativamente numeroso na época, mas que, apesar disso, encontrava-se fragilizado em função da brutal perseguição que vinha sofrendo desde o seu início. Havia também divisões internas e conflitos de poder. Conhecedor da situação, Constantino convocou os líderes cristãos e simplesmente ofereceu dinheiro, fama e poder.(Concílio de Nicéia)

E por incrível que pareça, a proposta foi aceita pela maioria dos líderes cristãos de então. Não porque eles estivessem mal-intecionados. Na verdade, o discurso de Constantino os convenceu, na medida em que ele apresentou-se como alguém que estava ali para ajudar, colocando o seu grande poder à disposição do Igreja.Talvez fosse uma resposta de Deus às orações da muitos. Situações semelhantes, em menores proporções, são comuns em nossos dias, quando denominações fecham acordos com políticos.

Constantino fez um acordo com a igreja e assumiu o controle do cristianismo, transformando-o em uma poderosa instituição religiosa, patrocinada pelo próprio Império Romano, muito bem estruturada, com regras rígidas e definidas. Nasceu assim a Igreja Católica Apostólica Romana.

Então, veio a contra-partida: acabaram-se as perseguições, os cristãos  passaram a ocupar cargos públicos no governo romano, tudo ficou mais fácil e favorável. O cristianismo e a igreja tornaram-se ricos e poderosos, transformando-se no braço forte de César.

Voltando à questão da Bíblia, a nova igreja precisava de um livro divino para respaldar sua autoridade e legitimar sua ação quase sempre violenta. Constantino reuniu todo o material escrito relacionado ao cristianismo e cuidou para que todo o conhecimento ficasse restrito à igreja. Quem tivesse qualquer livro, deveria entregá-lo à igreja, sob pena de execução sumária.

Foram apreendidos todos os livros sagrados, os quais traziam registros sobre o ensino, a vida e a obra de Jesus Cristo, instruções para o crescimento espiritual da humanidade, bem como registros históricos da relação entre Deus e os homens. Tais eram os livros originais, os que foram verdadeiramente inspirados por Deus.

Mas o conteúdo desses livros, as idéias e ensinos neles contidos entravam em conflito com os interesses de Roma e da Igreja. A solução óbvia foi então adotada: alguns livros foram simplesmente modificados. Outros, descartados, Outros ainda, destruidos. Ao final desse processo editorial maléfico, formou-se um único livro, algo bem próximo da Bíblia atual.

O que se seguiu foi um dos piores períodos que a humanidade já viveu: a Idade Média (476 dC a 1453 dC). A Idade das Trevas, como também é chamada,  foi caracterizada pelo poder implacável da Igreja, servindo ao estado, numa troca de favores. Mais de 9 milhões de pessoas foram cruelmente assassinadas pela "Santa Inquisição", sem contar as sangrentas Cruzadas,  tudo em nome de Jesus Cristo.

Durante a Idade Média a leitura da Bíblia, bem com a de qualquer outro livro,  era proibida à população. E o que mais surpreende é que tal proibição era imposta pela própria igreja. Mas por que?

A explicação é óbvia: assim como hoje, o acesso das massas ao conhecimento sempre representou ameaça aos detentores do poder, pois o conhecimento liberta o homem do medo. É difícil exercer controle sobre alguém que está fora do domínio do medo.

Desta forma, as autoridades políticas e eclesiásticas, que vem trabalhando em parceria desde então, visando a permanência no poder, lançaram mão do mais poderoso instrumento de todos: o controle da relação entre o homem e Deus. Sem a harmonia natural com o seu CRIADOR , a pessoa torna-se escrava do medo e, assim, facilmente manipulável.

O pior legado da Idade Média foi precisamente a cultura do medo que se implantou na mente coletiva da humanidade, cultura esta que persiste até os dias de hoje. Parece que foi transmitida geneticamente. Afinal, ver e ouvir uma pessoa sendo queimada viva é certamente uma experiência terrível que dificilmente pode ser esquecida, isto sem contar a atrocidade das torturas. Todo o mal causado à humanidade pela igreja, durante a Idade Média, foi em nome de Jesus Cristo e respaldado por passagens da bíblia de Constantino, que é a nossa Bíblia. Será que Jesus aprovou tal ação?

Tudo isso pode parecer absurdo para muitos. Afinal, por que Constantino faria tanto mal e em troca de que? Alterar os textos sagrados originais parece meio fora da realidade. Deus não permitiria tal coisa.

Mas sabemos que existem denominações evangélicas atuais que fizeram adaptações nas traduções de textos bíblicos visando harmonizá-las com o seu sistema doutrinário-teológico. Ora, se tais adulterações são feitas atualmente, de forma explícita, partindo de textos conhecidos, por que não se faria algo semelhante ou pior naquela época, quando reinava a total ignorância quanto ao verdadeiro conteúdo dos livros originais da Bíblia?

Ao mesmo tempo, não podemos esquecer do fato fundamental de que a humanidade tem livre arbítrio, o qual Deus sempre respeitou. Há inúmeros eventos históricos terríveis que Deus não impediu, como a 2ª Guerra Mundial, ocasião em que mais de 45 milhões de pessoas foram mortas. O fato de Deus não impedir as tragégias da humanidade não faz de dele cúmplice ou autor do mal. Somos nós quem colhemos os frutos da nossa própria semeadura. Assim, Deus permite que tanto o bem quanto o mal sejam praticados, conforme o livre arbitrio de cada um, assegurando apenas que os frutos ou consequências de cada ação sejam devidamente devolvidos, na justa medida, ao que agiu no exercício de sua livre vontade.

Baseado no exposto até então, podemos dizer que a Bíblia é um livro indigno de consideração em funçao das adulterações que sofreu?

Felizmente não.  Ao adulterar os livros sagrados, Constantino e seu grupo não foram espertos o bastante para eliminar a essência da mensagem genuinamente divina, que permaneceu mesclada nos textos da Bíblia atual. Realmente o trabalho foi bem feito, mas não foi perfeito. Os que trabalharam por Constantino não foram capazes de harmonizar todos os detalhes, e, temendo criar mais contradições, acabaram deixando diversos textos inalterados. 

Porém o conhecimento desta verdade preservada não está acessível a qualquer um, mas apenas àqueles que conseguem ler com olhos espirituais. O primeiro e mais importante requisito para extrair o ensino divino dos textos bíblicos é entender que vivemos em um universo cuja realidade física é apenas uma dimensão de uma realidade maior, que é a dimensão espiritual, a qual gera, harmoniza e sustenta tudo o que ocorre neste universo físico.

Deus é espírito. A plenitude está no mundo espiritual.

Ocorre, porém que Constantino praticamente eliminou o caráter espiritual dos textos bíblicos origianais, ao mesmo tempo em que introduziu uma teologia essencialmente materialista, que estimula o apego aos elementos físicos e materiais da existência humana. Por exemplo, baseado nos textos bíblicos, Jesus Cristo ascendeu aos céus em carne e osso. Estaria Ele lá ainda em carne e osso?

Acho que o que foi dito até agora é suficiente como introdução ao trabalho que ora inciamos. Antes de se formar convicções, é necessário que haja discernimento. Mas a capacidade de discernir é obtida somente após cuidadoso exame de todos os aspectos de uma determinada questão, sem preconceitos ou idéias formadas.

Assim, deixemos de lado o preconceito e as idéias formadas.

É necessário investigar para conhecer; conhecer para crer; crer para se libertar; libertar-se para crescer espiritualmente. 

Constantino introduziu o ensino de que Deus deve ser temido; que Deus é vingativo e irascível. que Deus é o Senhor dos Exércitos; que Deus se arrependeu de ter criado a humanidade...

Isto é ensinado até hoje nos cultos e nas missas, com o respaldo da Bíblia. E as pessoas tem acreditado nesta mentira. E a humanidade permanece refém do medo.

Deus não se arrependeu de ter feito o que fez, pois sua obra é boa. Ao contrário, ele amou sua criatura, ao ponto de enviar Jesus Cristo para transmitir o seu Ensino através do exemplo vivo.

Deus é alguém a ser respeitado, sim, mas não temido. Ele não se vinga, perdoa. Ele não se ira, acalma. Não é o Senhor dos exércitos, mas o Senhor da Paz. E, principalmente, é para ser AMADO, pois é a fonte da energia, do conhecimento, da sabedoria e do AMOR que sustentam o universo, do qual somos parte.

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