Mateus 1:22

Ora, tudo isso aconteceu para que se cumprisse o que fora dito da parte do Senhor pelo profeta:

tudo isso aconteceu

As circunstâncias e eventos do nascimento de Jesus receberam aqui uma injeção de sensacionalismo. O objetivo foi o de atribuir elementos miraculosos e extraordinários a um acontecimento que, em tese, deveria se dar da forma mais normal e discreta possível.

Conforme já dito, sabemos que não há qualquer originalidade nos aspectos miraculosos atribuídos a esse nascimento, pois há vários casos similares nas mitologias e religiões de outras civilizações anteriores à israelita. 

Considerando as razões últimas que levaram Jesus, o Verbo, a encarnar e baseando-se nas dificuldades que marcaram sua vida e morte, mais plausível seria admitir que o seu nascimento seguisse o mesmo padrão de complicações e dificuldades. Ou seja, o início de sua vida não seria diferente

Desse modo, ao contrário do que ensina a versão oficial, ele não poderia nascer em um ambiente com qualquer traço de elementos favoráveis, tais como ter tido uma mãe virgem e pura, ser membro de uma família normal e bem estruturada. Ao contrário, tudo seria difícil, problemático e adverso. O seu grande desafio seria precisamente o de mostrar, mediante o exemplo vivo, que era possível viver conforme os princípios divinos, por mais difíceis e complicadas que fossem as circunstâncias e por mais adverso que fosse o ambiente desde o princípio de sua existência terrena. Assim, não considero plausível o quadro em que Jesus nasce e cresce como membro de uma família quase perfeita. 

para que se cumprisse o que fora dito

Quando se fala em profecia há duas possibilidades: ou ela se cumprirá ou não.

Se admitirmos que obrigatoriamente se cumprirá, fechamos automaticamente a possibilidade de qualquer ação no sentido de evitá-la, pois independente do que se faça, o fato profetizado inevitavelmente ocorrerá. Por exemplo, admitindo-se que uma profecia estabeleça a ocorrência de uma tragédia, qualquer medida de prevenção no sentido de evitá-la será em vão. Sendo assim, por que tentar? Sob esta interpretação as profecias representam um destino do qual não se pode escapar. 

Por outro lado podemos ver a profecia como um objetivo ou uma consequência, que pode ou não se concretizar. Seu cumprimento se daria em função das circunstância e não o contrário. Em outras palavras, elas não forçam os fatos, mas decorrem deles. É mais plausível ver as profecias como efeitos decorrentes de causas ou, mais apropriadamente, como colheita conforme semeadura. Dessa forma, tudo o que ocorre é consequência de escolhas e ações. Qualquer um pode definir o seu próprio futuro baseado nas ações do presente e não em qualquer profecia ou destino. Cada um é profeta de si mesmo e define o seu futuro com base nas açoes e escolhas do presente.

O nascimento de Jesus e os fatos dele decorrentes ocorreram segundo um planejamento em linhas gerais e não conforme uma profecia fechada e detalhada. Do ponto de vista prático, uma criança que nasce de uma mulher casada não é melhor ou pior do que outra que nasce de uma mãe solteira. O mesmo se aplica à que nasce de uma virgem. Do mesmo modo, intrinsecamente falando, o filho de um rei não é melhor e nem pior do que o filho de qualquer outro homem. A distinção se dá em função de critérios meramente externos e culturais.

Levando-se em conta tais considerações, a maternidade ou paternidade do Jesus físico, bem como outros aspectos relacionados a ele são fatores absolutamente irrelevantes quando os confrontamos com os objetivos de sua vinda. O elementos miraculosos atribuídos ao seu nascimento servem muito mais para atrapalhar do que ajudar, pois conferem a Jesus vantagens que comprometem a legitimidade de sua obra. Para cumprir sua missão, o Logos se despiu total e absolutamente de todo o seu poder e glória para assim demonstrar que é possível desenvolver o espírito mesmo em condições difíceis e limitantes.

Então, o TUDO ISSO não poderia ser tanto assim. Se fosse, algo estaria errado.

da parte do Senhor pelo profeta

Se há a parte do Senhor, há também outra ou outras partes envolvidas. Esta passagem deixa claro, ainda que de forma implícita, a realidade de que o Senhor não era o único a falar às pessoas de então, assim como ocorre nos dias atuais. O profeta em questão é Isaias, que falava em nome do Senhor. Certamente havia, como há, outros que falam em nome de outros princípios ou entidades. A questão é saber discernir entre as mensagens e os mensageiros. Em última análise, tudo ocorre segundo o plano do Criador ou Logos, mesmo as ações que pareçam contrárias à primeira vista. 

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